Veja como o manejo de doenças agrícolas, aliado ao uso de micronutrientes nanoparticulados para plantas, induzem a resistência das plantas, reduzem a dependência de defensivos químicos nocivos e promovem a produção sustentável.
As doenças agrícolas continuam sendo uma das maiores ameaças à produção global de alimentos. Estudos da FAO (2021), apontam que, anualmente, cerca de 40% das colheitas globais são perdidas devido a pragas e doenças, o que impacta na segurança alimentar e gera prejuízos bilionários.
Mas, como enfrentar esses desafios sem intensificar o uso de produtos químicos que afetam o solo e o meio ambiente?
Os micronutrientes para plantas como selênio e zinco são utilizados na nutrição das plantas e são capazes de fortalecer as defesas naturais contra doenças.
Por exemplo, o selênio pode atuar como antioxidante e auxiliar na tolerância a estresses.
Além disso, o zinco é necessário para diversas enzimas metabólicas, como a Anidrase Carbônica.
Neste sentido, avanços em nanotecnologia e biotecnologia estão revolucionando o manejo integrado de doenças.
Nanopartículas e microrganismos benéficos oferecem alternativas sustentáveis, o que amplia a eficiência e reduz os impactos ambientais.
Com a agricultura a caminho para práticas sustentáveis, como esses recursos podem ser aplicados em lavouras de forma prática e acessível?
Neste artigo, você verá como o manejo nutricional combinado com essas inovações pode transformar a maneira como lidamos com doenças em culturas agrícolas, o que garante colheitas mais produtivas.
Acompanhe e descubra como a ciência tem gerado novas perspectivas para a agricultura sustentável.
Como falamos anteriormente, os micronutrientes atuam na proteção das plantas, principalmente em processos metabólicos e estruturais que fortalecem suas defesas naturais.
Figura 2: Deficiência de micronutrientes em plantas. EOADATA(2024)
Entre os principais nutrientes avaliados, destacam-se:
Esses participam de processos metabólicos específicos.
Além disso, compostos à base de aminoácidos complementam esses mecanismos, influenciando a fisiologia e a resposta das plantas a diferentes condições ambientais.
O selênio participa da atividade de enzimas antioxidantes, como a glutationa peroxidase, que auxilia na proteção celular contra o estresse oxidativo.
Esse mecanismo favorece a integridade estrutural das células vegetais, o que influencia a resposta da planta a condições adversas e à presença de patógenos e a estresse hídrico.
Neste cenário, a adição de nanopartículas de selênio da Revella, como o Sylos-Se contribui para vantagens como:
Biofortificação da cultura;
Aumento na densidade de raiz
Crescimento de nodulação da raiz, neste caso em soja.
Seguindo a lista de micronutrientes importantes para plantas: o zinco, por sua vez, regula a estabilidade estrutural das membranas celulares e ativa enzimas relacionadas às respostas de defesa.
Além disso, produtos com Seed Safe e Fortzinc da Revella, à base de nanopartículas de zinco possuem grandes benefícios:
Aceleram e potencializam o ganho de comprimento da raiz;
Melhoram o vigor e a germinação das sementes.
Conforme Bratovcic et al. (2023), a aplicação de zinco melhora a defesa das plantas ao induzir a produção de compostos antimicrobianos, reduzindo a suscetibilidade a doenças foliares em cereais.
Diferente do selênio, o cobalto está diretamente relacionado à fixação biológica de nitrogênio, pois influencia a atividade das bactérias simbióticas no sistema radicular de leguminosas.
Além disso, esse micronutriente participa da síntese da vitamina B12, essencial para o metabolismo energético das plantas e o respectivo desenvolvimento vegetal.
Estudos indicam que essas funções favorecem o crescimento radicular e a adaptação das plantas a ambientes com disponibilidade variável de nutrientes.
Os aminoácidos aplicados exogenamente estimulam vias metabólicas que promovem a produção de fitoalexinas e outros metabólitos secundários. Esses compostos atuam como sinalizadores de defesa.
Dordas (2008) aponta que a aplicação de aminoácidos pode reduzir a severidade de doenças como a ferrugem em trigo, com potencial para substituir parcialmente fungicidas convencionais.
Como vimos, as pesquisas indicam que o manejo integrado de micronutrientes para plantas reduz a incidência de doenças foliares, permitindo uma substituição parcial de fungicidas químicos.
Estudos de Bratovcic et al. (2023) e Dordas (2008) confirmam que essa prática protege as plantas enquanto reduz os impactos ambientais associados ao uso intensivo de defensivos.
Figura 2: Importância dos micronutrientes nas plantas. Mfrural (2024)
O etileno, chamado de "hormônio do envelhecimento" das plantas, atua nos processos de amadurecimento e senescência.
Como você sabe, esse fitohormônio é requerido em baixas concentrações, pois, níveis elevados podem:
Diante disso, o uso de nanopartículas é eficaz para controlar os efeitos prejudiciais do etileno em pré-colheita.
Ainda nas pesquisas de Bratovcic et al. (2023), consta que componentes como:
São altamente eficientes na inibição do etileno.
Elas agem interferindo nas vias biossintéticas e de sinalização do hormônio, o que reduz sua produção em situações de estresse.
Além disso, essas nanopartículas apresentam propriedades antioxidantes que mitigam o impacto de espécies reativas de oxigênio (ROS), um subproduto do estresse induzido pelo etileno.
Se você tem interesse em incorporar tais nanopartículas de cobre, a compatibilidade das mesmas com formulações agroquímicas e caldas é extremamente alta, neste caso recomenda-se as soluções Cyprium Plus e Cyprium Pro, diretamente no site da Revella.
Como dito anteriormente, as nanopartículas aplicadas na fase pré-colheita promovem maior resistência ao estresse oxidativo, como evidenciado por estudos que relatam menores danos em tecidos vegetais expostos a condições de seca ou altas temperaturas (Saranya et al., 2024).
Elas também auxiliam na manutenção da integridade celular, o que prolonga a vida útil das plantas e dos frutos.
Outra vantagem é que as nanopartículas oferecem liberação controlada e direcionada, o que aumenta a eficiência e reduz a quantidade necessária de aplicação.
Comparado aos inibidores químicos tradicionais, como o 1-MCP (1-metilciclopropeno), elas têm menor impacto ambiental e são menos propensas a deixar resíduos indesejados nos produtos colhidos (Bratovcic et al., 2023).
Você deve estar se perguntando sobre a aplicação prática dessa tecnologia, por isso, saiba que a aplicação de nanopartículas em culturas como tomate e maçã reduziu a queda de frutos prematuros e melhorou sua qualidade comercial.
Essas culturas apresentaram frutos com:
Maior firmeza
Coloração uniforme
Menor incidência de podridões pós-colheita
O que demonstra o impacto positivo dessas tecnologias (Saranya et al., 2024).
Os fungicidas são projetados para atuar diretamente nos patógenos, interrompendo processos metabólicos essenciais para sua sobrevivência.
Esse método é rápido e eficaz, mas pode levar à resistência dos patógenos ao longo do tempo devido ao uso contínuo.
Por outro lado, como falamos, os micronutrientes não eliminam os patógenos diretamente, mas fortalecem as defesas naturais das plantas, aumentando sua resistência.
Seu efeito é preventivo, não curativo. Assim, seu sucesso depende da aplicação antecipada e do manejo nutricional consistente.
A eficácia dos micronutrientes pode variar conforme:
Tipo de solo;
Condições climáticas;
Práticas culturais.
Embora a ação dos micronutrientes seja gradual, seu efeito pode ser mais duradouro, pois melhora a saúde geral das plantas e reduz sua suscetibilidade a infecções futuras.
Os fungicidas oferecem controle rápido, mas seu custo pode ser elevado para culturas que exigem aplicações frequentes.
Além disso, os custos associados ao manejo da resistência de patógenos e à necessidade de rotação de produtos químicos podem aumentar ainda mais o investimento necessário.
Já os micronutrientes apresentam um custo inicial mais baixo e podem ser incorporados a programas de fertilização já existentes.
Além de que, quando nanoparticulados, sua característica de baixa lixiviação perdura por mais tempo e melhora a qualidade do solo e da planta, trazendo benefícios de longo prazo.
Além de fortalecer as defesas naturais das plantas, o uso de micronutrientes atua na dinâmica do solo e da microbiota, pois gera condições favoráveis para o desenvolvimento do agroecossistema.
Por exemplo, o manganês e o zinco favorecem:
O que implica na maior disponibilidade de nutrientes essenciais para as plantas e na melhoria da saúde do solo.
As nanopartículas de elementos como cobre e prata também atuam no controle de patógenos do solo, ao mesmo tempo em que estimulam a microbiota benéfica.
Essas nanopartículas podem atuar seletivamente, inibindo organismos fitopatogênicos enquanto preservam ou favorecem espécies que contribuem para a saúde do solo.
Neste artigo, você viu como o uso de micronutrientes e a nanotecnologia, auxiliam o manejo de doenças agrícolas.
Discutimos os mecanismos de ação dos micronutrientes no fortalecimento das defesas naturais das plantas, a eficácia de nanopartículas e micronutrientes no controle de estresses, e como essas soluções oferecem alternativas aos fungicidas tradicionais.
Você viu que a aplicação de micronutrientes depende de diagnósticos, métodos adequados e planejamento nutricional, o que garante benefícios como maior resistência das plantas, menor dependência de defensivos químicos e promoção de práticas agrícolas sustentáveis.
Ao adotar essas práticas, produtores podem alcançar colheitas mais saudáveis, produtivas e alinhadas com a sustentabilidade, garantindo competitividade no mercado e a preservação dos recursos naturais.
Referências
DORDAS, Christos. Role of nutrients in controlling plant diseases in sustainable agriculture: A review. Agronomy for Sustainable Development, v. 28, n. 1, p. 33-46, 2008.
BRATOVCIC, Amira; et al. Silica shield: Harnessing phytoliths for sustainable plant protection. A comprehensive exploration. Springer Science and Business Media BV, 2024.
SARANYA, K.; et al. Assessment of Physico-Chemical Properties of Biogas Slurry as an Organic Fertilizer for Sustainable Agriculture. Journal of Experimental Biology and Agricultural Sciences, v. 12, n. 1, p. 56-67, 2024.